A primeira vez que ouvi falar gastronomicamente sobre a Croácia foi em uma reportagem que Jeffrey Steingarten fez para a Vogue América em 2005 sobre o crudo: a cultura de pescadores e cozinheiros da costa adriática de preparar peixe e frutos do mar crus. Não tem nada a ver com o sabor tradicional do peixe cru da culinária japonesa. E sim com uma das melhores condições do planeta para comer peixe e frutos do mar, especialmente lagostins, muito frescos.
E seguindo a vertente que defende o máximo aproveitamento do sabor de cada produto, neste caso, isso significa o peixe ou o fruto do mar cru, com sal, pimenta, limão siciliano (pouco) e azeite (bom).
Então, semana passada, quando fui convidada para um congresso na Croácia, frutos do mar foi a primeira coisa em que pensei. Engraçado que também acabei de fazer uma reportagem que dizia que, com o aumento da temperatura global, e consequentemente das águas dos mares e oceanos, em 50 anos, frutos do mar serão algo em quase extinção. Portanto, para quem ama, é agora ou nunca...
Difícil acreditar nisso agora. Estive apenas em Dubrovnik, que fica mais ao sul do país. A tradição do crudo é famosa em Istria, no norte, perto da Itália. Então, não consegui comer nada que não tivesse passado pelo fogo.
Mas comer peixes, mexilhões, lulas, camarões, polvos, lagostins e etcs. frescos é tão natural por lá quanto o arroz e feijão é por aqui. E o prato mais comum é uma mistura de todos eles grelhados (passados pelo fogo só bem rapidamente), com azeite, bastante alho e servido com legumes. Divino!!!
Dá uma olhada no que experimentei por lá:
Camarões no azeite com alho e vinho branco. No caso, com pão e vinho rosé. Nunca provei um camarão com esse sabor de "acabei de sair da água agora e fui divinamente preparado, só com a quantidade perfeita de azeite e alho apenas para realçar meu sabor".
Esse foi na Lokanda Peskarija (Na Ponti bb; 385-20-324-750), de frente para o porto velho da cidade.
Mexilhões servidos com azeite, alho, vinho branco e molho de tomate, bem para lambuzar todos os dedos e ótimo com cerveja croata para acompanhar. No restaurante Poklisar , também no porto velho.
Banquinhas da micro feira bem na praça central de Dubrovnik, com as especialidades locais: uvas, cerejas, groselhas, amoras, pêssegos, azeites, figos secos e cascas de laranja e limão cristalizadas
Cogumelos e lulas grelhadas servidos com arroz semi-refinado, do restaurante Marco Polo.
Presunto cru e queijos da região e sardinhas curtidas em sal e azeite, também do Marco Polo.
Mistura de peixe grelhado e frutos do mar fritos, servidos com legumes, no restaurante Ragusa 2 (Prijeko 30).
E versão do mesmo prato, só que totalmente de grelhados e com lagostin, do restaurante Ekvinocijo, que só serve comida orgânica, e foi minha melhor refeição na Croácia.
A sobremesa tradicional do país, um creme caramel, que aqui é chamado Rozata. Esse provei no café mais central da cidade, de onde dá para ficar horas sentada olhando as pessoas passarem, o Gradskavana.
Por fim, uma imagem do bar mais legal que eu já estive:
o Buza Bar. Sim, fica encrustrado nas pedras. E, sim, as pessoas se jogam de lá diretamente no mar. Tipo um sonho...